amitere

Terê


 

Perdida no Tempo

Me iludo
com as lembranças...
Me perco no medo de que o tempo
as roube de mim.


Sou presente,
com alma de passado...
Deixo que os instantes
passem pela minha vida
sem que eu os vivencie...


Respiro o presente
com mofo do passado...
Permito que o medo
impeça que eu vislumbre
o futuro...


Sou o tédio, sou o escuro...
Sou o silêncio, sou a lágrima...
Sou a amargura, sou a descrença...
Sou a tristeza, ...sou o fim.


Longe,
bem de longe,
Voz suave, doce,
sussurra meu nome... 


Corpo tenso...
alma angustiada...
No rosto as marcas
de um pranto silencioso...
Nos lábios 
o ensaio de um sorriso...


Foi sonho...Foi só um sonho...

Medo 

Tenho medo...
...que o meu amor não seja entendido
...que as palavras sejam distorcidas
...que meu sorriso não pareça espontâneo
...que o olhar não envolva ternura. 


Tenho medo...
...que minhas lágrimas pareçam fingimento
...que minha mão estendida nada encontre
...que o meu grito de socorro seja mudo
...que minha busca acabe sempre em desencontro. 


Tenho medo...
...que a indiferença me transforme em insensível
...que minhas palavras já não sejam verdadeiras
....que por não ter meu amor correspondido,
esqueça verdades que aprendi a vida inteira

Escuridão Que Ilumina

Olhos que como a noite
possuem uma negritude
que não apavora...
Transbordam de mistérios,
transmitem a calma
do silêncio...
Daqueles silêncios,
que nós imploramos 
e que nem de longe
lembram a solidão...


Olhos noturnos,
onde nuvens passeiam
e confundem a quem os fita...
Olhos onde brilham estrelas,
portanto iluminam.
Escuridão que cativa...
Escuridão que atrai...seduz,
mas em alguns momentos
amedronta...


Olhos da noite...
Mágicos...Profundos...
Onde se deve caminhar
com o maior cuidado,
para que não se perca o rumo...

 

 

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