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A Voz Qualquer
Permanecerá o silêncio,
Solidão tua amiga.
Andarás
Estradas sem fim.
Não me encontro em nenhuma esquina
Onde possa estar sentado...
Uma praça vazia, bancos úmidos de orvalho,
Um cheiro de solidão.
Me perco entre os brinquedos,
Ausentes crianças,
Ausentes sorrisos,
Ausente o meu ser.
Garimpo em solo estéril,
Na busca de um tesouro qualquer,
Um vento qualquer...
A voz qualquer que me faça viver,
A voz qualquer que me faça respirar:
A voz qualquer.
Delito
Se em meu delito comemoro o dia do fim,
considero tua vinda uma solução,
posto que de minha alma tragaste toda essência,
posto que de minha face extraiste a lágrima,
o sangue...
Se neste meu delito, tal qual a cor de teus vermelhos olhos,
faço força para trair minha tutela, para trair
meu respirar,
percebo meu traço forte, mais espesso
que tua estrada.
Percebo que desta solidão angelical faço desta terra
meu planeta, sem saber quando voltarei para o céu...
Destilo, assim, meu vinho cor de mel, meus olhos,
minha virtude...
A virtude de se poder ser o não sido,
pois,
que proposta absurda ensurdece minha alma,
senão a tua enfadada intenção de me possuir para nada?
Assim, planto minha árvore, semeio meu verso
e te respondo o quanto se vale do amor a alma
que poetiza.
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