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Aurélio Gatti


 

De tudo o que sei.

 

Uma noite...duas. Olhares, toques... meu Deus 

Quantos botões... nunca esperei me perder 

Em tantos botões 

Soltar um, dois...os de cima primeiro, os de baixo primeiro 

Que vestido tão longo...que carreira de botões tão extensa 

A dúvida paira em mim... 

Se solto os de cima visualizo seus belos seios 

Se solto os de baixo, lindas coxas... 

Ai, que desatino... que aflição! 

Que corpo macio, que boca gostosa, que olhar mais sedutor... 

Qual dos dois primeiro, dos seios ou das coxas? 

Botões que não saem das casas, que agarram 

Vontade de arrancá-los ao invés de travar uma luta com eles 

Meu desejo urge, o dela se revela pela respiração ofegante.

Quis naquele momento ter quatro olhos, quatro mãos 

Me multiplicar pra ela, para todo o deleite dela 

E nessa luta incansável e gostosa 

Fui me deliciando ao ver teu corpo aparecendo lentamente 

Se revelando para mim como se dissesse: 

Vem me conhecer toda! 

Aos meus olhos brota tão linda cor 

A sedutora cor da sua pele... 

Toda por igual.... sem sequer marca alguma 

Sem as conhecidas marcas que fazem o sol 

Toda de uma cor só...que encanto. 

Que corpo mais liso.. que pele mais suave 

Meio que nua ou meio que vestida? 

Não havia tempo para pensar nisso 

Apenas o tempo de sentir, de tocar 

De colar a boca, de sentir seus cabelos 

Seu cheiro, sua pele 

Fazer carícias por um tempo ilimitado 

Querendo que o tempo parasse 

Foi ficando tudo em minhas lembranças 

Como se estivesse sendo tatuado 

Sua voz baixa e rouca 

Sua mão que por várias vezes tapou a minha boca 

Pra que não revelasse nosso íntimo segredo 

Repleto de desejo... 

Quando com a mão ocupada 

Calava-me com um mais tarado beijo 

Minhas mãos tesas e fortes 

Cobria seu corpo com beijos, afagos e carinhos 

Como se quisesse levar comigo todas as suas 

Curvas, saliências, fendas, gostos 

Na palma da minha mão 

Ainda sinto o gosto de sua boca 

A maciez de teu seios em minhas mãos 

Em minha boca 

Meu prazer não importava.... com tanto prazer que eu via 

Eu a desejava naquele momento, para dividir comigo o que eu sentia 

Quão bom é poder levar pela vida toda 

Esse prazer que nunca mais se repetiu 

E que ficou interrompido sem uma conclusão 

Linda e suave mulher que eu docemente chamei 

De minha ... 

Ficou apenas comigo e ela esse gosto, esse dia 

Será que ela ao olhar para aquele vestido 

Que de tantos botões me causou aflição 

Ainda se lembrará de mim? 

Acho que sim.... ou não?

 

 

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