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Soneto Solitário
Miragem no mirante
Arde no arpoador
À luz, arpão e dor
Sob a lua do instante
Luz de candeeiro
Farol de escuridão
Bruma de veraneio
No mar de imensidão
Caminhar d'enseada
Areia em calcanhar
Nos grãos de solidão
Cruza água rebentada
Anda onde onda amar
Por esse mar coração?
Mulher Menina
Por que lábios tens tão traiçoeiros
A esconder o sorrir só teu, maroto
A guardar tantos anseios e cheiros
E a tornar-me ainda mais garoto?
Que escondes por entres os braços
Lépidos e rápidos q'envolvem a mim
Antes mesmo eu me faça em abraço
Tu me tomas simples por parte, assim
Q'escondes por detrás das pérolas, sina
Que teus olhos são, e me prendem, seu
No teu jovem e claro e profundo breu
Que escondes nos de huri seios teus
Que vem da alma tua e me desatina
E te dá magia de ser mulher, e menina?
Mulher Praiana
Mulher dourada de cachos d'ouro
Rende redentora os raios do sol
Linda litoral leva leve a nau o louro
Naufraga olhos perdidos em teu atol
Mulher, saudada na areia, salgada
Marola margeia mansa os pomos teus
Perfeito pouso pela mulher amada
Maré Maria minha nos braços meus
Mulher lua de praiana paisagem
Banhada nua nos recortes da costa
Meu navegar nas curvas tuas, cabotagem
Mulher menina me mareia e mostra
A mirar ao mirante a tua imagem
Refletida nas águas (asas)do verso e prosa.
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